Uma vez que começas a cair não podes parar, nem sequer para te levantares e beberes um copo de água. Ficas ali, imóvel, a suar, expulsando até à última gota a dor que revolve nas tuas entranhas. São horas intermináveis em que pensas que nunca mais poderás voltar a viver, que o melhor seria ficares adormecido para não ver mais nada.
E chega o momento de saires de casa, ainda com a cabeça feita um desastre. Durante 3 horas és capaz de compartilhar trivialidades, cerveja e mais nada. E no último instante, sem contar, as pernas falham-te, e sabem logo de antemão que alguma coisa aconteceu. E ganhas a sensação de que vem outra noite sem dormir.
Gostavas de parar o tempo há meses atrás, quando ainda podias aspirar a encontrar algum equilíbrio. De noite, a comiseração quase te faz rebentar a cabeça. E esse alívio é agora uma dor profunda e, apercebes-te, estúpida. Chegas à estalagem e apenas te apetece queimar tudo, fazer desaparecer cada móvel, espelho ou almofada que te faça lembrar dela. Porque construíram isso juntos. Agora tens de destruir a pessoa que criaste.
A derradeira coisa que podes fazer quando te encontras assim é apagar tudo isso com álcool. Preparas-te mais uma vez para sair, entre as vozes na tua cabeça, sair à rua para respirar. Mas como sempre cometes excessos. E aí a queda será duplamente espantosa.
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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Love? It's overrated - IV
Ela: (remexe o cubo de gelo no copo) - Não confio em Gémeos. Têm sempre duas caras, são uns sacaninhas bipolares e dissimulados.
(sorriso sardónico; olha-o nos olhos) - Em que mês é que tu nasceste...?
Ele: (põe o cachecol e sacode a manga do casaco) - Nunca confiei em alguém que nascesse no dia 1 de Abril.
(acende um cigarro; olha pela janela) - Acho que nem preciso de dizer mais nada.
O cigarro ficou a arder sozinho no cinzeiro.
Ela continua até hoje a remexer o cubo de gelo.
sábado, 21 de agosto de 2010
Da Relatividade - Episódios na Mezcal Inn
(Banco do balcão 1) - Quando somos novos, a Urgência de amar leva-nos uma e outra vez a correr para os braços da Desilusão; e lamentamos amargamente cada recaída.
(Banco do balcão 2) - E quando somos velhos, o Desespero de sermos não amados leva-nos a correr mais uma vez para os braços da Desilusão; e lamentamos amargamente não termos corrido mais vezes quando tínhamos tudo nas nossas mãos.
(Banco do balcão 2) - E quando somos velhos, o Desespero de sermos não amados leva-nos a correr mais uma vez para os braços da Desilusão; e lamentamos amargamente não termos corrido mais vezes quando tínhamos tudo nas nossas mãos.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Love? It's overrated.
Ele: Qual é o teu maior sonho?
Ela: Não tenho nenhum.
Era nessa altura que devia ter-se acendido
a luzinha vermelha na cabeça dele.
a luzinha vermelha na cabeça dele.
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