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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Entretanto, por aí...

No carro:

- Ele: O que vai ser o jantar?
- Ela: Vamos comer sobras. Trouxe lombo que sobrou do almoço.
- Ele: Hum...
- Ela: Tu gostas. Já conheces o lombo da minha mãe.
- Ele: Eu JURO que não sabia que ela estava a tomar banho...!!!

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

E no fim

Uma vez que começas a cair não podes parar, nem sequer para te levantares e beberes um copo de água. Ficas ali, imóvel, a suar, expulsando até à última gota a dor que revolve nas tuas entranhas. São horas intermináveis em que pensas que nunca mais poderás voltar a viver, que o melhor seria ficares adormecido para não ver mais nada.
E chega o momento de saires de casa, ainda com a cabeça feita um desastre. Durante 3 horas és capaz de compartilhar trivialidades, cerveja e mais nada. E no último instante, sem contar, as pernas falham-te, e sabem logo de antemão que alguma coisa aconteceu. E ganhas a sensação de que vem outra noite sem dormir.
Gostavas de parar o tempo há meses atrás, quando ainda podias aspirar a encontrar algum equilíbrio. De noite, a comiseração quase te faz rebentar a cabeça. E esse alívio é agora uma dor profunda e, apercebes-te, estúpida. Chegas à estalagem e apenas te apetece queimar tudo, fazer desaparecer cada móvel, espelho ou almofada que te faça lembrar dela. Porque construíram isso juntos. Agora tens de destruir a pessoa que criaste.

A derradeira coisa que podes fazer quando te encontras assim é apagar tudo isso com álcool. Preparas-te mais uma vez para sair, entre as vozes na tua cabeça, sair à rua para respirar. Mas como sempre cometes excessos. E aí a queda será duplamente espantosa.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

O Princípio é o Fim é o Princípio

Encontrei, por acaso, o teu poema, perdido num pedaço de saco de pão, daqueles de papelão amarelado. Estava perdido no espaço; entre o balcão do mercado, algures no 25 onde o escreveste embalada nos solavancos, com as bagettes apoiadas nos joelhos e a caneta a furar incessantemente o papel, e finalmente em casa, caído atrás do frigorífico.
Agora está lembrado, nas cinzas que ainda fumegam no cinzeiro e nas recordações que teimo em guardar.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Eram p'raí 7 e pico...

Mescaline.
Mezcal Inn.
Mezzanine.
Magazine.
Breathe in.
Fall in.
Fallin'.
Heroin.
Cocaine.
[This cocaine makes me feel like
i'm on this
]
Song.
Wrong.
Coffee! (strong)
- A Scotch!!
Deboche.
B(r)osch (é bom!!)
Ka-Boom!!
Doom.
Mine. (All mine...)
Divine.
Divide.
Conquer.
Suffer.

sábado, 21 de agosto de 2010

Da Relatividade - Episódios na Mezcal Inn

(Banco do balcão 1) - Quando somos novos, a Urgência de amar leva-nos uma e outra vez a correr para os braços da Desilusão; e lamentamos amargamente cada recaída.

(Banco do balcão 2) - E quando somos velhos, o Desespero de sermos não amados leva-nos a correr mais uma vez para os braços da Desilusão; e lamentamos amargamente não termos corrido mais vezes quando tínhamos tudo nas nossas mãos.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Entre Mim e Eu - pt III

Respira fundo. Olha para lá de ti, das ondas do mar agitado da tua vida.
Fecha os olhos.
Deixa-te cair.
- Apanhas-me? Seguras-me?
- Apenas se quiseres sentir-te seguro. Queres?
- Não sei.
- O que queres tu?
- Quero-me a mim. A mim e a todas as quimeras que me preenchem.
- O que queres tu?
- O que queres TU?
- Quero salvar-te.
- De quem?
- De ti e de mim mesmo.
- Achas que há tempo? Que há hipótese?
- Responde apenas. Não perguntes.

Fecha os olhos. Respira. Não adormeças.

- O que queres tu?
- Não sei.
- O que és tu?
- Não sei. Não sei.... NÃO SEI!!
- O que queres ser?
- Eu.
- Já és.
- Não chega.

Tic-tac

- O teu tempo escasseia. Não tens muito mais.
- É o que mais quero.
- O quê?
- Tempo.
- Não o tens. O pavio da tua vela está cada vez mais curto.
- Tenho medo da viagem que me propões. Que se acabe o chão debaixo dos meus pés. Que a luz ao fundo do túnel seja afinal de contas apenas mais um comboio.
- O que és tu?
- Sou quase eu.
- O que te falta?
- Tu.
- Que tipo de ideia é "tu"? Revolução ou serenidade? Príncipe ou Besta?
- Todas elas e nenhuma.
- O que te trouxe aqui?
- O que te trouxe até mim?
- Tu. Eu. Tudo e nada. O tudo que queres ser e o nada que somos. E ao mesmo tempo eu sou mais que tu, que juntos somos um e nenhum.

Abre os olhos! Deixa entrar a luz.

- Não posso... Dói...
- O que te trouxe aqui?
- O passado. A vontade do futuro. "Closure". A palavra.
- Mas que palavra? Acaso terei falado?

As palavras não se falam apenas. Palavras são ideias. Já existiam ainda antes de as pensares. Existiam antes ainda de as dizeres.
Qual a palavra que me trouxe até ti?

- Não sei.
- Di-la. Vai libertar-te.

Di-la, parvo! Abre a boca e deixa jorrar essa torrente. Abre os olhos. Deixa entrar a claridade. Vai doer, mas não tens hipótese.

- O que te trouxe aqui?
- A palavra.
- Que palavra?
- "Paz".

Respira. Concentra-te. Não é essa. Olha para lá disso.

- Que palavra?

Expira. Descola os lábios. Cura-te.

- "Homem".

Fecha os olhos.
Sê benvindo a ti mesmo.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Entre mim e eu - pt. II

Pára. Respira. Concentra-te de novo.
Escuta.
Escuta-te mais uma vez.
- Para onde me levas?
- Pergunta antes para onde queres que te leve. Para onde queres ir?
- Para fora de mim. Viver em meu redor. E voltar de novo.
- Mas tu já estás fora de ti. Eu estou fora de e dentro de ti. Eu sou tu e tu és ninguém, tal como eu. Vá, para onde queres que te leve?
- Para onde eu possa não ser eu. Onde possa ser tudo e todos. Nada e ninguém.
- Toma a minha mão. Não vai demorar. Já estamos quase lá.
- Prometes?
- Pela primeira vez não vou enganar-te. Não posso continuar a enganar-me a mim mesmo.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Entre mim e eu - pt. I

Respira. Respira bem fundo. Concentra-te. Não podes desviar-te um segundo que seja dos teus objectivos.
- Que objectivos?
- Os teus sonhos.
- Não tenho sonhos. Apenas ilusões, etéreas como flocos de neve que derretem mal os apanho na mão.
- Transforma-te. Transmuta-te. Encontra uma forma de tornar essas ilusões em caminho possível. Concentra-te. Aniquila-te. Liberta-te.

Não consigo. Não sei o caminho. Não tenho a quem pedir direcções.

- O que tens tu?
- Nada. Uma mão cheia de um grande nada. 25 anos de devaneios. Vinte-e-cinco, bem contados. Meia dúzia de canções e outras tantas cordas.
- O que és tu?
- Sonho e nervos. Consumo-me em sonho, em delírio. Sou nervos, todo eu. Todo o meu corpo é vida frenética, mas uma torrente sem rumo, a ser implacavelmente absorvida pelo deserto que atravesso.

Sim, sou isso. Sonho e nervos. Um espírito demasiado maior para um corpo que se desmembra e requebra de tão duro que é.