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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Isn't it beautiful?

Outra vez o som da melancolia. À primeira hora do dia chegou-me o vento do Sul, recordações de canções em inglês, noites de 24 horas, confissões, autocarros e eternas despedidas.
Who am I...?
Perguntava-to de novo se pudesse.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Febre

Podia ser por culpa da temperatura, mas voltou a recordá-lo. Imaginou-o como um ser humano, uma pessoa que vive e caminha, mas a quem não podia chegar fosse por que meio fosse.
Era a impotência que a confundia. Era o ser dele que a levava até ao limite dela mesma. Eram as suas mãos as que conseguiram afastá-la dele.
E ainda assim ela continuava a achar que ele estava a desfrutar de umas férias eternas.

Assim como assim, nada valia a pena, nada era real. Nem um, nem dois, nem três, nem quatro. Nem ele.
"Que se foda"

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Love? It's Overrated - VI

Dois corpos jazem nús na cama, atirados um para cada lado depois da fúria que os devassou. Repelidos pelo que antes os unia.
A mão dele segura um cigarro. Inspira o fumo em silêncio, e expira espirais cinzento-azuladas contra a luz da persiana num murmúrio teatral.
A mão dela, caída sobre a beira do colchão, segura um frasco de comprimidos. E, não respirando já, foi a primeira vez que se sentiu viva.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

O Princípio é o Fim é o Princípio

Encontrei, por acaso, o teu poema, perdido num pedaço de saco de pão, daqueles de papelão amarelado. Estava perdido no espaço; entre o balcão do mercado, algures no 25 onde o escreveste embalada nos solavancos, com as bagettes apoiadas nos joelhos e a caneta a furar incessantemente o papel, e finalmente em casa, caído atrás do frigorífico.
Agora está lembrado, nas cinzas que ainda fumegam no cinzeiro e nas recordações que teimo em guardar.

Do you close your eyes when you kiss me?

Não fui feliz. Não fui.



Por isso evitei os teus olhos sempre que pude beijar-te.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Love? It's overrated - II

Ela dizia-lhe que ele vivia agarrado ao passado; e todo o tempo foi sempre ela quem não teve, e continua a não ter, coragem de o enfrentar.

Entendê-lo seria como enfrentar-se a si mesma; e nós somos de longe muito mais assustadores aos nossos próprios olhos.

Fugir ao assunto foi sempre mais fácil do que debatê-lo, quando vemos no outro em espelho, replicados na perfeição, todos os nossos demónios.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Não durmo porque tenho sono, e isso faz-me perder

Where the willows weep and the whirpool sleeps


Levantei-me e pela primeira vez estou a ver um nascer do sol em muito muito tempo. Lembro-me perfeitamente da primeira vez que o fiz, e faço-o hoje como se de uma primeira vez se tratasse. O sol aquece-me depois da noite mal dormida que tive, depois de acordar vezes sem conta sem te sentir e virar-me desesperado para te abraçar, para te tocar e queimar-me no teu calor.

sábado, 18 de setembro de 2010

Pequenas pérolas




Acredito que há "a" pessoa para "o" momento. E esse momento podem ser 2 minutos, um dia, 5 meses ou uma vida.


Só não entendo o porquê de certos momentos não durarem quanto gostaríamos que durassem.




sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Chtob vse byli zdorovy!!

Devia deixar esta página em branco, que seria o reflexo de como me sinto neste momento. Um grande nada, e fico por aí.
Estes foram dias atribulados e que vão sem dúvida alguma cobrar o seu preço, mais cedo ou mais tarde. O que poderia colocar por palavras aqui e hoje não o consigo escrever. Demasiado grande.
Enchi a taça muito depressa e ela transbordou. Jorrou tudo fora, e agora fica isto.
O vazio e a ressaca.





Ia colocar "Na zdorovje!" como título, mania de tentar mostrar que sou um poliglota, mas daqueles pilantras. No entanto, descobri que não existe nada mais errado que isso. Descobri aqui. Só para tirar as dúvidas, aconselho! Caso tenham de beber muito lá fora.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Ressaca

Ressaca de sentimentos. Era o que nesse dia lhe martelava a cabeça. Massacrava-o até à medula dos ossos, quase lhe fazia saltar os olhos das órbitas. Não era suposto. Os seus caminhos pareciam finalmente convergir, dirigir-se para o mesmo ponto, e ainda assim parecia tudo tão etéreo, tão vazio.
"Our minds and bodies just sensually click / I fall between your boobs and you on my dick." Tinha sido mais ou menos isso que tinha acontecido nesse dia, e ainda assim tudo pareceu ficar ali. O calor ficou no meio dos lençóis, e tudo acabou por se tornar gelado como a chuva que caía lá fora. Cada qual seguiu o seu caminho, e a maior angústia era ter a vaga noção que do outro lado era isso que grassava também.
Há muito que tinham deixado que o frio se instalasse, e ambos sabiam que não eram pessoas de meios termos. Eram ou não eram; tinham ou não tinham. Escolheram falar, mas mas ambos tinham perdido os dicionários com que se decifravam mutuamente.
Perderam-nos e para desespero dele, parecia não haver volta a dar, quando não eram sequer capazes de se manterem juntos na mesma cama.
Amargo de boca do que podia ter sido.