sexta-feira, 11 de julho de 2014

How I Met Your Mother? No. How I Met You.

É certo e sabido que toda a gente, ou pelo menos quase toda, teve pelo menos algum momento na vida em que se relacionou em parte pelo menos, com a série “How I Met Your Mother”. 
O que é óptimo, porque significa que não vou ter de me alongar na explicação da sitcom. Toda a gente sabe como a série gira à volta da ideia de que o protagonista, Ted Mosby, explica passo a passo aos dois filhos como ele encontrou a mãe deles e como acabaram irremediavelmente apaixonados.

Boring.

Vamos passar à personagem pela qual toda a gente via a série. 
Isso mesmo. 

Barney Stinson.

E passo a explicar porquê. 

O Barney tem tudo o que achamos execrável, abominável e terrível numa pessoa. Um manipulador, um mulherengo inconsequente, sem respeito pelos sentimentos de ninguém, sem escrúpulos, nefelibata, efabulador, um mentiroso compulsivo. 
É ao mesmo tempo um study case interessante, porque porque raio é que nos sentimos tão atraídos por aquela personagem? 

Da mesma forma que nos apaixonámos pelo Dr House, pelo Kev de Derek, Bob Harris de Lost In Translation, e finalmente o meu preferido de todas as criaturas desajustadas, Melvin Udal de As Good As It Gets.
Apaixonamo-nos por todas elas porque embora sintamos repulsa por elas, desde que seja intrigantes, nós queremos saber mais sobre elas. Queremos saber mais porque elas transmitem os nossos comportamentos mais obscuros, e revemo-nos nelas porque as usamos como um escape para tudo aquilo que reprovamos mas no fundo (natureza humana) sempre quisemos fazer. Ou, como a minha mãe sempre me disse, “pimenta no cú dos outros para mim é refresco”.

Seria estranho admitirmos que um “borderline sociopath” como o Barney é alguém que admiramos. Talvez pelas características que são imediatamente evocadas quando pensamos na persona, no que é imediatamente palpável e o que lhe deu durante tanto tempo a atenção não mitigada de tanta e tanta gente.

Eu vejo as coisas de outra forma.
Eu tinha um sentimento de sufoco de cada vez que via o Barney porque me revia nele. Porque eu era o Barney.
Calma, uma coisa de cada vez. Não tinha o emprego (?) milionário que ele aparentemente tem. Não uso um fato desde a minha festa de finalistas do secundário, não bebo todos os dias. Ok, esqueçamos essa última parte.
Mas era muitas das outras coisas. Um inconsequente. Um irresponsável. Alguém cujas directrizes morais eram, digamos, desviantes. Mentiroso, sim. Bastante. 
Daí que de cada vez que o via entrar em cena com toda a prosápia que o rodeava, eu me encolhia um bocadinho no sofá e esperava que ninguém notasse. Eu era provavelmente a única pessoa que não gostava do Barney.

Até que a Robin entra na vida dele.
Certo, não foi a reviravolta que estavamos à espera. Mas isto leva-me ao porquê de as pessoas continuarem a gostar dele e eu passar a gostar dele.

Redenção.

Redenção não por ver que a Robin, que ele acaba por descobrir que era a mulher da vida dele, o deixa por tudo o que ele representa. Mas pela oportunidade de mudança que ele decide operar na vida dele.
Ali estava, ontem à noite, enquanto via (finalmente) o final da série, a razão pela qual eu passei a gostar do Barney.
Por tudo o que ele altera, retira da vida dele, ainda que por caminhos e portas travessas. Ele luta, e finalmente consegue provar, irredutivelmente, que é capaz de uma genuína transformação por quem lhe diz tanto.

Eu iniciei esse processo há um ano atrás. Deixei os bares, queimei “O Livro” (metaforicamente falando).

E se toda a gente se derretia e soltava suspiros com toda a maquinação que ele operou para finalmente levar a sua Robin a descobrir que ele era capaz de genuinamente mudar por quem amava, eu descobri que não tenho uma Patrice nem um "Livro". Mas tenho a minha mudança, tenho o meu coração nas mãos, e ele é todo, todo para ti.




Will you be the Robin to my Barney?

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Se soubesses.

Se soubesses o quanto sinto a tua falta sem esperar nada em troca.
Se soubesses como reencontrar o teu olhar foi como encontrar um porto seguro onde me aquieto e me recolho.

Se soubesses que vejo mais quando fecho os meus olhos e te vislumbro.
Se soubesses como te quero bem.
Se soubesses o quanto eu sei que as nossas almas se tocam e fundem.

Se soubesses o quanto não te quero cobrar nada do que foi, que não sei se foi...
Se soubesses, simplesmente soubesses, que me basta sentir-te só um pouco.
Numa palavra escrita, numa palavra dita, na lembrança de algo teu.
Se soubesses que isso me não me basta, que vivo de contradições, onde nada no meu corpo sente, somente o meu espírito.

E de repente pudesse eu viver tudo o que tu não sabes, tudo o que imagino quando a minha urgência me leva para perto de ti.

Se tu soubesses...
Que é puro e sem pretensão de ser algo mais do que é.

Se tu soubesses!

E o estranho é que eu sei que sabes...
Se ao menos eu soubesse que tu sempre soubeste.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Das casas

Hoje sonhei com a nossa casa. Uma sala com paredes pintadas de laranja, com sofás azuis, onde tu acabas a um canto um dos teus vestidos e eu estudo um trecho de uma canção à luz do fim da tarde. Sonhei que o vestias e rodopiavas à minha frente, a perguntar "que tal?" enquanto eu fingia que não via, só para te  lançares no meu colo e me arrancares um beijo que era sempre teu, só teu.
Sonhei que estávamos numa cozinha branca prestes a ficar pintalgada das cores berrantes dos pimentos que tanto gostamos de pôr na nossa massa com cenas. Que resmungavas comigo a dizer que nunca te deixo fazer nada na cozinha, quando tudo o que faço é mexer a massa e passar-te os frascos dos condimentos.
Sonhei que nos enroscavamos num dos sofás debaixo de uma manta, com o teu cabelo a fazer-me comichão no nariz e os teus ombros ossudos espetados nas minhas costelas enquanto eu repetia "não, a sério, eu estou bem" só por não querer que te distancies aquele milímetro que te faz minha. Imaginei que discutíamos o que ver, contigo a afirmar a pés juntos que a "New Girl" é bem melhor que todas as outras séries que eu sugeria, até que nos decidimos por ver o Coninhas, só para eu adormecer 5 minutos depois, contigo a rir e a brincar que não tem piada ver nada comigo. Sem que eu deixe escapar o quão impossível me é dormir de outra forma que não seja na paz que me dás quando estás assim comigo.
Sonhei que nos deitàmos no novelo às bolas a que chamamos cama, contigo a tremer de frio depois de trocares de roupa enquanto eu fingia não olhar e tu fingias que não sabias. Que me puxavas a mão pela tua cintura, ma apertavas, para passados 5 minutos de adormeceres me empurarres para longe nesse teu jeito tão desastrado, tão teu.
Sonhei que acordava ao teu lado e te via ainda toda torcida, a acordar aos bocadinhos, a levantar uma das pontas do tapa olhos com que foges à luz e a dar-me o bom dia mais maldisposto de sempre, enquanto tiras um dos tampões que colocas para não me ouvir ressonar e me dizes mais uma vez que não te larguei a noite toda.
Hoje sonhei com a nossa casa. Com a casa que continuo a construir, dia após dia, bem cá dentro. Uma casa que vai sempre ter a porta aberta para ti, mesmo que no fim só reste isso mesmo: uma porta.

terça-feira, 18 de junho de 2013

The curtain falls

Lembro-me de uma série cómica que eu seguia com alguma regularidade, há muitos anos, da qual nem me lembro sequer do título ou da trama. Sei que, no final de cada episódio, havia sempre um momento em que o personagem sobre o qual todo o enredo rolava, tinha o momento de reflexão acerca de tudo o que se tinha passado nesse episódio. Fechado numa arrecadação, com uma guitarra eléctrica e de auscultadores para não fazer barulho, tinha o seu monólogo mental enquanto tocava.
Quando comecei a aprender a tocar, nunca me passou pela cabeça ser músico. Comecei aos 8 anos numa orquestra orff e coro infantil, e a coisa demorou a pegar, embora quando atingi os 10 anos de idade e depois de muita insistência, os meus pais concordaram em colocar-me num conservatório a aprender violino e formação musical. E foi quando todos os meus amigos começaram a fazer o mesmo que tive a minha primeira banda. E a partir daí nunca mais parei.
Nunca soube jogar futebol. Nunca tive uma inteligência muito acima da média. Mas ali, naquilo, encontrei o que queria fazer. Lentamente, o violino deu lugar, paralelamente, à guitarra. Ao baixo. Às primeiras experiências com o piano do meu irmão. Ao bandolim. Ao violoncelo. Ao contrabaixo. Se tivesse cordas, eu queria. Mais e mais. Com o bicho sempre a devorar-me as entranhas. Era AQUILO que eu queria ser. Um músico a sério. Ser cada vez melhor. Mais rápido. Mais sentido. Mais técnico. Mais criativo.
Bandas. E mais bandas. E mais projectos. E mais instrumentos. E mais, mais vontade.
E mais.
Mais sacrifícios. Mais trabalho. Dinheiro que se me esvaía das mãos para cordas e palhetas. Concertos. Cheguei a passar fome porque fazia contas aos trocos para tudo o que precisava. Saltava refeições para juntar dinheiro. Faltava a aulas para treinar. Para ensaiar. Despedia-me de empregos que me limitavam o tempo e me sufocavam o tempo de estudo e ensaio e me limitavam as ambições.
Fiquei sem casa. Mais que uma vez. Vivi em salas de ensaio, em sofás de amigos. E a besta sempre a sangrar-me por dentro, a querer sair.
Saía para festivais com a minha tuna e ia para a residencial mais cedo porque não podia pagar um fino na festa no final. Até que finalmente deixei de ir porque simplesmente não podia suportar sequer o preço da viagem.
E continuei, sempre, a acreditar. Com quanta mais força caía, com mais determinação me levantava. E fazia de conta para toda a gente que estava tudo bem.
E ela continuava ali, a torturar-me. Porquê? Porque eu sempre disse a mim mesmo que não ia ser como o personagem dessa série que eu via. Eu não ia ser um tipo de meia idade, que algum dia tinha tido um sonho, e cuja terminação do potencial tinha sido acabar numa garagem, entre as ferramentas e as caixas de arrumos, com uma guitarra velha e com vergonha sequer de se fazer ver, quanto mais ouvir. Jurei que nunca seria essa personagem. A ter um canto, que fosse sempre num palco. A ter uma multidão, que fosse com parafusos a menos e não uma caixa de parafusos.
Está na hora de deixar a besta morrer. Se não o posso ser por inteiro, não o quero ser seja por que fracção for. Se sacrifício significa isto, prefiro não a ter. Se luta termina desta forma, prefiro dar-lhe o golpe de misericórdia.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Sanctity

Tempos houve, já fazem uns assombrosos 10 anos que me fazem sentir que de facto não caminho para novo, em que a minha cabeça era ornamentada por longos caracóis loiros, e a minha face bastante mais redonda e com menos rugas era enquadrada por uma hirsuta barba. Conjunto de características que me valiam a alcunha de Jesus Cristo, pela familiaridade de feições partilhadas entre mim e a dita personagem.
Hoje, com menos barba e bem menos cabelo (outra coisa que me lembra que houve acidentes de percurso e mais uma vez do meu caminhar a passos largos para longe da minha juventude), sinto-me bem mais perto dessa personagem que nunca.
Depois de enfiar dois pregos nos pés, posso dizer que o senhor realmente deve ter sofrido um bocadito.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Reminisce



Time takes care of the wound, so I can believe.
You had so much to give, you thought I couldn't see.
Gifts for boot heels to crush, promises deceived
I had to send it away to bring us back again.
Your eyes and body brighten silent waters, deep.
Your precious daughter in the other room, asleep.
A kiss "Goodnight" from every stranger that I meet.
I had to send it away to bring us back again.
Morning theft, and pretender left, ungrateful.
True Self is what brought you here, to me.
A place where we can accept this love.
Friendship battered down by useless history,
Unexamined failure.
What am I still to you?
Some thief who stole from you?
Or some fool drama queen whose chances were few?
Love brings us to who we need,
a place where we can save
A heart that beats as both siphon and reservoir.
You're a woman, I'm a calf.
You're a window, I'm a knife.
We come together making chance into starlight.
Meet me tomorrow night, or any day you want.
I have no right to wonder just how, or when.
And though the meaning fits, there's no relief in this.
I miss my beautiful friend.
I had to send it away to bring her back again.